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Rede Covid-19

Eixo 1b — Efetividade da Vacinação
Eixo 1b

Apresentação

Estudo Caso-Controle

Avalia a efetividade da vacinação conforme o espectro clínico da doença e desfecho, incluindo casos confirmados por RT-PCR para SARS-CoV-2.

Bio-Manguinhos / Fiocruz

Efetividade da Vacinação contra COVID-19 no Brasil: Estudo de Caso-Controle.

A avaliação da efetividade da vacinação contra a COVID-19 no Brasil constitui um esforço científico central para a saúde pública. Com o início da vacinação no país, a partir de janeiro de 2021, foi possível verificar impactos diretos na redução da gravidade da doença e na prevenção de óbitos. Nesse contexto, o estudo do Eixo 1b, intitulado "Efetividade da vacinação contra a COVID-19 no Brasil: estudo de caso-controle", se caracterizou como um estudo observacional, analítico, longitudinal e multicêntrico, com delineamento do tipo caso-controle, patrocinado por Bio-Manguinhos/Fiocruz e sob liderança de Alexandre Medeiros de Figueiredo (UFPB).

O estudo foi conduzido entre fevereiro de 2022 e outubro de 2024 em oito centros distribuídos por todas as regiões do país, incluindo estados como Paraná, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Rio de Janeiro, Bahia, Ceará e Pernambuco. Essa abrangência territorial permitiu captar variações regionais e construir um panorama representativo da realidade brasileira no período analisado.

2.998 Participantes efetivos
8 Centros de pesquisa
98,7% Cobertura vacinal
< 0,5% Taxa de internação (vacinados)

Metodologia

Nos estudos de tipo caso-controle, indivíduos com diagnóstico confirmado da doença (os "casos") são comparados a pessoas com características semelhantes que não apresentaram a infecção (os "controles"). Assim, foram considerados "casos" indivíduos com 18 anos ou mais, com suspeita clínica de COVID-19 confirmada por exames laboratoriais (teste RT-PCR positivo), sem diagnóstico da doença nos 90 dias anteriores. Os "controles" foram selecionados entre moradores da mesma vizinhança, pareados por idade e sexo, assintomáticos e com RT-PCR negativo no momento da inclusão, além de ausência de sintomas nos sete dias seguintes. Ao todo, foram recrutadas 4.257 pessoas, tendo participado efetivamente da pesquisa 2.998 indivíduos, sendo 852 casos e 2.146 controles. Após o pareamento, a amostra final contou com 611 casos e 1.835 controles — que foram acompanhados durante um ano.

Casos (852 recrutados · 611 pareados)

Indivíduos com 18 anos ou mais, com suspeita clínica de COVID-19 confirmada por RT-PCR positivo, sem diagnóstico da doença nos 90 dias anteriores.

Controles (2.146 recrutados · 1.835 pareados)

Moradores da mesma vizinhança, pareados por idade e sexo, assintomáticos e com RT-PCR negativo no momento da inclusão, sem sintomas nos 7 dias seguintes.

Além de dados clínicos, epidemiológicos e socioeconômicos coletados por questionários, os participantes realizaram coletas de swab para a confirmação laboratorial do caso de Covid-19 e avaliação do tipo de variante responsável pela infecção. Também foram realizadas coletas seriadas de sangue, o que permitiu avaliar a resposta imunológica humoral (produção de anticorpos) e celular ao longo do tempo. Essa abordagem possibilitou analisar não apenas a ocorrência da doença, mas também a dinâmica da imunidade associada à vacinação e à infecção.

A pesquisa contou com a participação de diversos centros, como o INI/Fiocruz — Policlínica Sérgio Arouca (Niterói), o Centro de Pesquisa em Medicina Tropical (RO-CEPEM), o Laboratório de Pesquisa em Ciências da Saúde (LPCS — Dourados), o Hospital Universitário Pedro Ernesto — Piquet Carneiro (UERJ), o NUPIT-SG, a Universidade Estadual de Maringá (UEM), o Instituto Gonçalo Moniz (Fiocruz Bahia) e o Centro de Pesquisa do Posto de Saúde Anastácio Magalhães (CE).


Principais resultados

Os resultados refletem um contexto de alta cobertura vacinal no Brasil, com 98,7% dos participantes vacinados, o que limitou a comparação direta entre vacinados e não vacinados. Ainda assim, os achados foram relevantes: entre os casos confirmados, houve baixa ocorrência de internações (menos de 1%) e nenhum óbito por covid-19 durante o acompanhamento, indicando redução significativa da gravidade da doença.

As análises imunológicas mostraram respostas humoral robustas, com aumento de anticorpos após a infecção e queda gradual ao longo do tempo, reforçando a importância das doses de reforço vacinal. Além disso, a taxa de internação entre os vacinados foi de menos de 0,5%.

De forma geral, os resultados reforçam a vacinação como estratégia central para a mitigação da COVID-19 no Brasil, somando a outros estudos, evidenciam seu papel na redução de casos graves e na proteção da população. O estudo também destaca a relevância de pesquisas observacionais multicêntricas para o monitoramento contínuo da efetividade vacinal em contextos reais, contribuindo para o aprimoramento das políticas públicas de saúde e para o fortalecimento da confiança nas vacinas.

Baixa internação

Entre os casos confirmados, houve baixa ocorrência de internações (menos de 1%) e nenhum óbito por COVID-19 durante o acompanhamento, indicando redução significativa da gravidade.

Resposta imunológica robusta

As análises mostraram respostas humorais robustas, com aumento de anticorpos após a infecção e queda gradual ao longo do tempo, reforçando a importância das doses de reforço vacinal.

Relevância multicêntrica

O estudo destaca a relevância de pesquisas observacionais multicêntricas para o monitoramento contínuo da efetividade vacinal em contextos reais, contribuindo para o aprimoramento das políticas públicas de saúde.


Coordenação

Alexandre Medeiros de Figueiredo Coordenador

Médico formado pela UFPB, com mestrado em Epidemiologia (UFRGS) e doutorado em Ciências da Saúde (UFRN). Possui residência em Clínica Médica e em Medicina de Família e Comunidade. Atuou como professor em diversas instituições, coordenou programas de Atenção Básica e ocupou cargos de gestão no SUS, incluindo a direção do Departamento de Gestão da Educação na Saúde do Ministério da Saúde. Atualmente é Superintendente do Hospital Universitário Lauro Wanderley. Tem ampla experiência em Atenção Primária, ensino em saúde, epidemiologia e gestão pública.

Maria de Lourdes de Sousa Maia Coordenadora

Dra. Maria de Lourdes de Sousa Maia é médica pela UFPB, mestre em Pesquisa Clínica pelo INI/Fiocruz, com especializações em Saúde Pública, Planejamento em Saúde, Desenvolvimento de Recursos Humanos e Medicina Tropical, além de residência em Doenças Infecto-Contagiosas. Atuou como coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (1995–2005) e do PRCV (2021–2023). Desde 2005 integra Bio-Manguinhos/Fiocruz, onde atualmente chefia o Departamento de Assuntos Médicos, Estudos Clínicos e Vigilância Pós-Registro (Deame).

Currículo Lattes

Equipe de pesquisadores

Andre Machado de Siqueira

Médico infectologista, com formação pela UnB, residência pela USP, mestrado pela London School of Hygiene & Tropical Medicine e doutorado em Doenças Tropicais. Atua como pesquisador e professor em doenças infecciosas, com foco em arboviroses, malária, coronavírus e ensaios clínicos, em âmbito nacional e internacional.

Currículo Lattes

Dhelio Batista Pereira

Médico, doutor em Doenças Infecciosas, diretor e pesquisador no Centro de Pesquisas em Medicina Tropical de Rondônia, com foco em arboviroses, malária e saúde pública.

Currículo Lattes

Fábio Juliano Negrão

Médico veterinário e biomédico, com mestrado e doutorado em Ciência Animal. Professor na Universidade Federal de Dourados (UFGD), pesquisando doenças infecciosas emergentes e arboviroses.

Currículo Lattes

Luciano Pamplona de Góes Cavalcanti

Biólogo, mestre e doutor em Saúde Pública, com foco em arboviroses. Professor e pesquisador na Universidade Federal do Ceará (UFC), atuando na vigilância epidemiológica e saúde coletiva. Superintendente da Escola de Saúde Pública do Ceará.

Currículo Lattes

Luís Cristóvão de Moraes Sobrino Pôrto

Médico formado pela UERJ, com doutorado em Biologia Humana pela Université Claude Bernard-Lyon I, França. É professor titular da UERJ, coordenando o Laboratório de Histocompatibilidade e Criopreservação (TIXUS) e o Mestrado em Saúde, Medicina Laboratorial e Tecnologia Forense.

Currículo Lattes

Luiz Antonio Bastos Camacho

O autor é pesquisador titular da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com graduação em Medicina e pós-graduação em Saúde Pública. Sua expertise é em Epidemiologia, com foco em doenças imunopreveníveis e avaliação de programas de saúde.

Currículo Lattes

Guilherme de Sousa Ribeiro

Médico infectologista, com formação pela UFBA e UNIFESP, mestrado em Epidemiologia por Harvard e doutorado pela Fiocruz. É Pesquisador Titular do IGM/Fiocruz e professor permanente em programas de pós-graduação na Fiocruz e na UFBA, com ampla atuação acadêmica e de gestão universitária.

Currículo Lattes

Helton da Costa Santiago

Médico formado pela UFMG, com mestrado e doutorado em Bioquímica e Imunologia, e pós-doutorado na George Washington University e no National Institutes of Health (NIH). É professor associado da UFMG e integra o Comitê Gestor do Centro de Tecnologia de Vacinas, atuando em pesquisa clínica e básica.

Currículo Lattes

Marcela Helena Gambim Fonseca

Imunologista, bacharel em Ciências Biológicas pela UNESP, com doutorado em Imunologia pela USP e pós-doutorado em Saúde Pública pela Fiocruz Ceará. É Tecnologista em Saúde Pública da Fiocruz-CE desde 2013 e atualmente atua como Manager Center do Centro Pasteur Fiocruz de Imunologia e Imunoterapia.

Currículo Lattes

Márcia Edilaine Lopes Consolaro

Farmacêutica-Bioquímica, mestre e doutora em Biologia Celular, com pós-doutorado na Universidade de São Paulo (USP). Professora e pesquisadora na Universidade Estadual de Maringá (UEM), com publicações focadas em HPV, câncer cervical, ISTs e arboviroses.

Currículo Lattes

Moacyr Jesus Barreto de Melo Rêgo

Doutor em Inovação Terapêutica pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), pós-doutor em Cancerologia, é professor e líder de pesquisa na UFPE, com foco em inovações terapêuticas para doenças crônicas e câncer. Recebeu o Prêmio Suely Galdino em 2020.

Currículo Lattes

Centros de pesquisa

CEPEM — Centro de Pesquisa em Medicina Tropical (Fiocruz Rondônia)

Atua em pesquisa clínica e epidemiológica na Amazônia, analisando populações de áreas remotas, com foco em doenças infecciosas e vigilância em saúde.

cepem-ro.com.br
Centro de Pesquisa — Posto de Saúde Anastácio Magalhães (Fortaleza/CE)

Unidade de atenção primária que integra o SUS, oferecendo consultas, vacinação e serviços de enfermagem, apoiando pesquisas locais.

saude.fortaleza.ce.gov.br
Fiocruz Rondônia

Parceira estratégica para análise de dados do Norte do Brasil, coordenada por Dhelio Batista Pereira, colaborando em estudos de saúde pública.

rondonia.fiocruz.br
INI/Fiocruz — Policlínica Sérgio Arouca (Niterói/RJ)

Unidade de atenção primária e vacinação, com atuação relevante na pandemia de Covid-19 e suporte a pesquisas em saúde pública.

saude.niteroi.rj.gov.br
Laboratório de Pesquisa em Ciências da Saúde — LPCS (UFGD/Dourados)

Espaço de apoio à pesquisa científica em saúde, com experimentos e formação prática de pesquisadores e estudantes.

portal.ufgd.edu.br
NUPIT-SG — Núcleo de Pesquisa para Inovação Terapêutica Suely Galdino (UFPE)

Centro de pesquisa em Avaliação de Tecnologias em Saúde, políticas públicas e evidências científicas para o SUS.

ufpe.br/propesqi/lamps/nupitsg
Policlínica Piquet Carneiro (UERJ/RJ)

Unidade de ensino, serviço e pesquisa que integra o SUS, com atenção ambulatorial multidisciplinar e formação profissional.

ppc.uerj.br
Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco

Apoia implementação de pesquisas no estado, com colaboração direta ao NUPIT/UFPE.

portal.saude.pe.gov.br
Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza

Contribui com a coleta e inclusão de dados de saúde da cidade para estudos regionais e nacionais.

fortaleza.ce.gov.br
Secretaria Municipal de Saúde de Grande Dourados

Trabalha com a UFGD na coleta de dados da região central do país, apoiando pesquisas em saúde.

portal.dourados.ms.gov.br
Secretaria Municipal de Saúde de Salvador

Colabora na inclusão de dados da cidade, fortalecendo pesquisas e análises de saúde pública.

saude.salvador.ba.gov.br
Universidade Estadual de Maringá (UEM)

Universidade pública estadual que desenvolve ensino, pesquisa e extensão em diversas áreas, incluindo saúde.

uem.br
Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz Bahia)

Unidade de pesquisa, ensino e serviços em saúde pública, com foco em investigação científica, formação e soluções para a saúde coletiva.

bahia.fiocruz.br

Laboratórios

Departamento de Bioquímica e Imunologia — Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Departamento acadêmico dedicado ao ensino, pesquisa e pós-graduação em bioquímica, imunologia e doenças infecciosas.

icb.ufmg.br/dbi
Centro de Pesquisas em Medicina de Precisão (CPMP)

O CPMP da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) é uma estrutura de pesquisa em medicina de precisão voltada ao estudo de perfis genéticos e biológicos para aprimorar diagnósticos e terapias personalizadas, sob responsabilidade técnica da Dra. Adriana Carvalho.

biof.ufrj.br/cpmp
Laboratório de Histocompatibilidade e Criopreservação (UERJ)

Especializado em histocompatibilidade, biologia celular e tecidual, com foco em transplantes e medicina laboratorial.

uerj.br
Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo — Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz)

Pesquisa e vigilância de vírus respiratórios, incluindo sarampo, com apoio ao diagnóstico e saúde pública.

ioc.fiocruz.br
Unidade de Apoio ao Diagnóstico da Covid-19 (UNADIG) — Bio-Manguinhos/Fiocruz

Atua no diagnóstico da Covid-19, fortalecendo vigilância epidemiológica e suporte ao SUS.

bio.fiocruz.br