Pular para o conteúdo principal

Rede Covid-19

Eixo 5 — Intercambialidade de Vacinas
Eixo 5

Apresentação

Vigilância Virológica e Imunológica

Avalia a segurança e imunogenicidade de protocolos com intercambialidade de vacinas COVID-19 na população nacional.

IOC / Fiocruz

Intercambialidade de Vacinas contra a COVID-19 no Brasil: Estudo Multicêntrico da Rede Covid-19

A intercambialidade de vacinas contra a COVID-19, ou seja, a combinação de diferentes plataformas tecnológicas de imunizantes no mesmo esquema vacinal, tornou-se uma questão estratégica durante a campanha nacional de vacinação. No contexto de emergência sanitária, com a baixa disponibilidade de doses de vacinas e o surgimento de novas variantes, compreender a segurança e a resposta imunológica desses esquemas passou a ser fundamental para a saúde pública.

Nesse cenário, o Eixo 5 da Rede Covid-19, intitulado "Intercambialidade de vacinas: vigilância virológica e imunológica da COVID-19 na população nacional", foi desenvolvido com o objetivo de avaliar a segurança e a imunogenicidade de esquemas vacinais de intercambialidade vacinal aplicados no Brasil.

O estudo foi coordenado por Adriana Lima Vallochi (Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz) e estruturado como uma coorte observacional, prospectiva e multicêntrica, envolvendo unidades da Fiocruz em diferentes regiões do país, em parceria com secretarias estaduais e municipais de saúde e Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacen).

500+Participantes
9Combinações vacinais
5Instituições envolvidas
210Voluntários com coleta longitudinal

Metodologia

O estudo incluiu mais de 500 participantes que haviam recebido três doses de vacinas diferentes contra a COVID-19 (esquema primário completo + reforço). Cerca de 210 voluntários doaram amostras dois meses após a dose de reforço, 3ª dose, (6-8 meses após o esquema primário) e retornaram seis meses depois para nova coleta de amostras (12 meses após o esquema primário), o que permitiu uma análise longitudinal da qualidade e da persistência da resposta imune.

Considerando as três vacinas principais utilizadas no Brasil (Coronavac, AstraZeneca e Pfizer), foram analisadas nove combinações para garantir a robustez das análises estatísticas comparativas. Foram realizadas coletas de sangue periférico e, quando necessário, amostras de nasofaringe em dois momentos distintos. As análises incluíram:

Testes de ELISA

Detecção de anticorpos (IgA e IgG) antiproteína S.

IgG contra proteína N

Identificação de anticorpos IgG contra a proteína N, permitindo excluir casos de infecção prévia que poderiam interferir na interpretação dos dados.

Soroneutralização

Ensaios de soroneutralização para avaliar a capacidade funcional dos anticorpos.

Respostas celulares

Investigação em andamento das respostas celulares (linfócitos T e mediadores inflamatórios).

Essa abordagem permitiu avaliar de forma robusta a resposta imune e sua persistência ao longo do tempo.


Principais resultados até o momento

Os dados demonstraram que a intercambialidade vacinal é segura e imunologicamente eficaz.

Entre os achados mais relevantes:

  • O esquema AstraZeneca–AstraZeneca–Pfizer apresentou diferença estatisticamente significativa na produção de IgA, um anticorpo essencial para a proteção das mucosas.
  • Outros esquemas, como AstraZeneca–AstraZeneca–AstraZeneca e Coronavac–Coronavac–Pfizer, também demonstraram respostas imunológicas consistentes.
  • Todos os grupos analisados apresentaram produção detectável de IgG antiproteína S.
  • Os testes de soroneutralização confirmaram que os anticorpos produzidos eram funcionalmente capazes de bloquear a entrada do vírus nas células.
  • Não houve eventos adversos graves associados aos esquemas heterólogos.

De forma geral, os achados indicam que a combinação de plataformas vacinais pode estimular vias complementares da imunidade, envolvendo respostas humorais e celulares, sem comprometer a segurança. Mesmo após a exclusão de participantes com indícios de infecção prévia, os resultados se mantiveram consistentes, indicando que a vacinação com esquema heterólogo é eficaz e efetiva.


Coordenação

Adriana Lima Vallochi Coordenadora

Adriana Lima Vallochi é bióloga, doutora em Imunologia pela Universidade de São Paulo (USP), com trajetória dedicada ao estudo da resposta imune a infecções. Desde 2009, atua no Laboratório de Imunofarmacologia da Fiocruz, com experiência em imunidade celular e imunogenicidade.


Centros Responsáveis

O estudo foi conduzido de forma multicêntrica, integrando 5 instituições principais:

Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz — RJ)

Unidade técnico-científica da Fiocruz com atuação histórica em pesquisa biomédica, vigilância virológica e desenvolvimento de estratégias para doenças infecciosas.

ioc.fiocruz.br
Instituto Carlos Chagas (ICC/Fiocruz — PR)

Unidade da Fiocruz no Paraná dedicada à pesquisa em biologia molecular, imunologia e doenças infecciosas, com forte atuação em vigilância genômica.

icc.fiocruz.br
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)

Instituição pública federal com atuação em ensino, pesquisa e extensão, colaborando na coleta e na análise de dados clínicos e laboratoriais.

ufms.br
Fiocruz Rondônia

Unidade estratégica de pesquisa em saúde na região Norte, com forte atuação em vigilância epidemiológica e doenças infecciosas emergentes.

rondonia.fiocruz.br
Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz Bahia)

Centro de referência em pesquisa, ensino e inovação em saúde pública, com forte tradição em imunologia e doenças infecciosas.

bahia.fiocruz.br